
É amigos, uma pena, mas pelo que temos visto e ouvido há alguns anos e, sobretudo nas últimas semanas e nesta quarta-feira pela manhã, Sete Lagoas não vai cumprir a Meta 2010 de despoluição do Rio das Velhas. Para quem não sabe, atualmente estamos em segundo lugar na lista das cidades que mais poluem o tão sofrido Velhas. E ficaremos em primeiro tão logo entre em funcionamento a ETE do Onça, na capital mineira. Ou seja, trocando em miúdos, Sete Lagoas será o município que mais "gerda" joga no tal rio, através do Ribeirão Jequitibá via os afluentes daqui.
O que mais impressiona e nos deixa a cada dia mais céticos quanto ao cumprimento da Meta é que, há anos, muito pouco ou quase nada foi feito para atingi-la. O SAAE, autarquia responsável pelo saneamento básico setelagoano, foi dilapidado e toda vez que tentaram conserta-lo, o coitado do diretor presidente foi defenestrado - não vamos entrar neste mérito porque senão ficaremos escrevendo aqui até "chico chegar da lenha". Agora, mais um que tenta colocar o trem nos trilhos sofre pressão de tudo quanto é lado e, alheia a isso tudo, a questão de despoluir o Rio das Velhas fica relegada a segundo plano.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Laírson Couto, que participou de debate no anfiteatro do Casarão, quarta-feira, junto a membros do Projeto Manuelzão e da Expedição Velhas 2009, falou o que todo mundo sabe. O SAAE não tem nem 1 centavinho sequer para investir na construção da ETE do Matadouro. Mas ele deu uma informação importante. Em 2007, quando o ministro das Cidades, Márcio Fortes, esteve aqui, o Governo Federal liberou dinheiro para investir no saneamento, mas a administração da época - prefeito Leone Maciel - achou mais importante investir para trazer água do mesmo Velhas para abastecer Sete Lagoas. Ou seja, queremos beber a água do Rio, mas ao mesmo tempo vamos sujar a que outros bebem, mais abaixo.
O próprio Laírson cobrou mais apoio do Governo Estadual para tentar, junto ao Governo Federalm recursos da ordem de R$ 50 a R$ 60 milhões para construir a ETE. Lembrou que o governador é do partido do prefeito Maroca - o PSDB - mas que muito pouco a administração estadual tem feito para intermediar a chegada destes recursos. O secretário tá certo, o SAAE não tem poder de investimento, mas quiseram que ele permanecesse, então, onde estão os defensores da autarquia, aqueles que na tribuna da Câmara, nas incansáveis audiências públicas bradava, "o SAAE é nosso"?
Pena, novamente seremos manchete negativa nos jornais da capital daqui há algum tempo. Quem vai resolver esta questão toda? Maroca, Aécio Neves, a nova frente de defesa do Meio Ambiente da Câmara, nós o povo? Isso não sabemos, o que está aí é a realidade, nua e crua, de que 100% do esgoto é coletado, mas cerca de 10% é tratado...o resto é "josta", pura, nos rios e córregos. Para finalizar, uma questão tão importante como esta da Meta, da despoluição, e uma participação pequena da sociedade no Casarão. Inclusive faltou o próprio prefeito.