No Prelo não é lá muito fã da Revista Veja, mas esta é uma opinião destes dois que vos escrevem. Porém, todavia, entretanto, respeitamos o veículo de comunicação, que querendo ou não, é um dos mais importantes da América Latina. E justamente a revista trouxe em sua última edição um levantamento sobre 20 cidades brasileiras de médio porte que poderão ser as "metrópoles do futuro", além de outras com grande potencial para se tornarem referência daqui há pouco tempo.
Sete Lagoas é uma delas, o que sem sombra de dúvidas é uma verdade inconteste. O desenvolvimento do município desde o início desta década é evidente. Sete Lagoas pulou de uma cidade de interior para um município que abriga importantes multinacionais e empresas de renome, tais como Iveco Fiat, AmBev, Elma Chips, Brennand Cimentos, OMR entre outras, que possibilitaram a diversificação da economia, antes presa à cadeia do gusa - que ainda responde por grande fatia do setor. Mas isto caiu do céu assim, ao gosto de Deus? Foi por iniciativa de nossos digníssimos políticos? Bem, em parte.
Primeiro porque o Criador - isso é para quem acredita viu gente, não vamos discutir religião aqui - deu à Sete Lagoas uma localização privilegiada. Os índios que habitavam estas terras há longíquos anos observaram um local excelente para montar sua aldeia e viverem felizes para sempre - ou pelo manos até os Bandeirantes chegarem por estas bandas. Em segundo lugar, a iniciativa política tem sua participação na isenção de impostos e colocação de áreas à disposição (nem que para isso tenham que arrancar um bairro inteiro do lugar).
Mas o que mais aproxima Sete Lagoas destas empresas é justamente sua localização privilegiada, vias de escoamento, proximidade com a capital etc e tal. Todo mundo já está cansado de ouvir isso. A vinda destes empreendimentos segue o ritmo normal de qualquer empresa que procura facilidades para produzir e escoar, mas não quer dizer que a chegada de uma primeira não tenha facilitado a vinda das demais. Isto é óbvio e claro.
A Revista Veja colocou Sete Lagoas como balneário industrial, numa matéria pequena, bem amarrada quanto aos investimentos aqui feitos nos últimos anos, mas justamente ela, que se gaba por aprofundar nos temas que aborda, não citou problemas estruturais graves e de anos com os quais convivem os locais. O tratamento de esgoto é falho, a distribuição de água em alguns pontos do município também, determinados bairros sofrem com a sujeira, o trânsito na área central está pela hora da morte e por aí vamos seguindo.
A cidade avançou muito nos últimos anos, mas ainda precisa crescer mais nestes quesitos. Iniciativas têm sido tomadas e até surtido efeito. Precisamos pensar a cidade daqui a 30, 50 anos e estamos caminhando neste rumo. Agora, falar que Sete Lagoas “abriga casas de veraneio dos ricos de Belo Horizonte, que viajam apenas 70 quilômetros para desfrutar os sítios e chácaras situados às margens dos seus lagos” é demais. E tudo que é demais, passa da conta. Não teriam confundido Sete Lagoas com Lagoa Santa?