
Apesar de tanta expectativa, o anúncio na dança das cadeiras no secretariado municipal não atingiu seu estatus de evento do ano no gabinete da prefeitura. Alguns nomes trocaram de lugar, outros deixaram a administração, mas nada que, ao nosso ver, pode se chamar de uma reestruturação no primeiro escalão. O próprio Maroca assumiu, no início da coletiva com a (im)pren$a Sélagoana, que as mudanças serão mais de posturas, e menos de nomes com o objetivo de se aproximar mais da população e valorizar os servidores. Mas vá lá, os anéis já se foram.
De cara ele anunciou a extinção da Secretaria de Trânsito, berrento da administração Maroquiana, e junto a primeira queda, do ex-delegado Eduardo Betti. Haverá uma mutação, e a secretaria vai se tornar a Secretaria de Planejamento Urbano, ocupada pelo Flávio Dumont, ex-consultor de licitações. Ele também assume a Procuradoria do Município, no lugar do Leonardo Braga, este que assume a Secretaria de Administração e temporariamente a de Meio Ambiente. Numa mesma tacada outros dois caíram: Laírson Couto e Ricardo da Administração. Estevão Bakô também é outro nome que sai do primeiro escalão, mas não há ainda anúncio de quem vai ficar na chefia de gabinete. E por fim, as últimas mudanças são o Xexéu para a Codesel e Fábio Nepomuceno na Cohasa.
Enfim, nomes mais cotados para sair ficaram no final das contas, pelo menos temporariamente. O próprio Maroca reconhece que o presidente do Saae, Ronaldo Andrade, poderá sair, para cuidar das suas próprias empresas. Mas nada ainda confirmado. Segundo o prefeito, a comunicação a partir de agora ficará sob a sua tutela direta, o que vai retirar o peso nas costas de Fred Antoniazzi. Todo o restante será reconduzido aos seus cargos.
Terminado o resumão, vamos ao que interessa.
Ao criar a nova secretaria de Planejamento Urbano, o que sobra para a Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão? Segundo o prefeito, o atual secretário vai se tornar uma espécie de embaixador da administração em Brasília para obter recursos e acompanhar projetos. Não sabia que o Flávio de Castro havia estudado no Instituto Rio Branco. Maroca retirou o polêmico Departamento de Licenciamento de Obras (DLO) das mãos de um Flávio, o de Castro, e passou para outro, o Dumont. Em miúdos, para amenizar as críticas, tirou o DLO - que ganhava novos ares, de mais agilidade e transparência, e por isso incomodava muitos dos poderosos por ai - de quem se propôs a promover mudanças, passou para outra pasta e esvaziou totalmente a Secretaria de planejamento. Dizem por aí que muitos dos assessores do Flávio de Castro, que o ajudaram na reforma, devem sair do DLO depois dessa mudança, e alguns tem medo de um retrocesso no departamento.
Em tempo: nosso amigo Celso Martinelli foi direto na jugular, e perguntou quem são esses poderosos que tanto criticam a atuação do secretário de planejamento. O prefeito se esquivou e não respondeu. Uma pena.
Enfim, quem nem deveria ter entrado na administração continua forte, e saiu ainda mais fortalecido com as trocas e mudanças. A cidade continua esburacada - que aliás foi assunto na coletiva - cheia de mato e mal cuidada. O prefeito prometeu, e isto está gravado, que será o último ano que os buracos ficam na calçada à espera de um lugar na rua. As trocas visam visivelmente as eleições de 2012, apesar do prefeito se negar. Infelizmente em alguns casos ele cedeu a pressão dos "poderosos" - como é o caso do DLO - apesar de tentar passar que não era isso. E ele ainda deve ser lembrado que quem elege é o voto da população e não dos "poderosos".
Um adendo: alguém ai poderia informar que os releases tem o objetivo de pautar os jornais, e não serem usados como matérias. Estes jornaleiros, ops, "jornalistas" de plantão que só copiam os textos enviados pelas assessorias de comunicação deveriam aprender realmente o que é jornalismo. Aquele velho jornalismo, feito na rua, sem medo de descer do carro no barro e caminhar pelos bairros de periferia. Vi alguns representantes da (im)pren$a presentes na coletiva, pressionando a assessoria de comunicação da prefeitura a enviar os textos até tal horário, para sair no jornal. Se estavam presentes, por que não produzir os próprios textos? Incompetência? Preguiça? Vai prá enquete hoje ainda.
Foto: Quim Drummond