
Na época foi um grande estardalhaço. Na imprensa o que mais tinha eram pessoas prontas a defender a execução sumária de centenas (seriam 25 mudas catalogadas e identificadas da mesma espécie, por árvore a ser abatida) de pequizeiros em nome do avanço em Sete Lagoas. Posto isso, até uma lei foi aprovada na Assembléia Legislativa, que autorizava o corte das árvores, para que a indústria cervejeira pousasse pelas terras das bananas. Ai eu pergunto: onde estão os pequizeiros que deveriam ser plantados? Ou onde estão as ações prometidas em troca da devastação ecológica na região?
Mas ainda tem mais. Não vou ficar restrito apenas aos questionamentos ecológicos, mas sim sociais. Onde estão todas aquelas pessoas que tanto esbravejaram a favor do corte dos pequizeiros? Onde elas estão para cobrar a contrapartida da empresa? Sumiram todos. A entidade representativa do comércio foi a que mais abraçou a causa. E são os mesmos que estão promovendo uma tal caminhada ecológica até à Serra de Santa Helena. De lá eles poderia avistar a devastação que causaram na região que foram implantadas as indústrias. Deveriam, em vez da tal caminhada, fazer uma manifestação em frente à fábrica, exigindo a contrapartida ecológica tão prometida pela empresa. Mas pelo jeito, permaneceram calados. Triste hipocrisia.
A última informação que tivemos, de um membro do Conselho Municipal de Meio Ambiente, é de que a empresa ofereceu um boa quantia para algum projeto social, no lugar do plantio dos pequizeiros. Esperamos que sejam atendidos pessoas que sobrevivem dos frutos e da vida do cerrado. É a forma mais lógica de recompensarem.
Mais uma vez o capital venceu o meio-ambiente. Justamente em tempos que o próprio capital está sendo contestado. Só mesmo por aqui...


