terça-feira, 13 de setembro de 2011

A quem se interessa?

Foto da devastação feito pelo incêndio, ainda na quinta-feira. Marcos Avellar, 08/09/2011
Incêndio em época de forte estiagem não é nenhuma novidade pelas terras Sélagoanas. Todos os anos, há focos, fuligem e muita fumaça na cidade, que pioram com o tempo seco e o vento. Mas talvez este ano, ao que parece a este escriba, a coisa foi um pouco mais longe.

Para ver de perto a situação, fui duas vezes, em dois dias seguidos, para acompanhar de perto a situação. Aliás, uma situação deplorável e muito triste, uma cena que dispensaria ver novamente. Mas o lado bom de ver de perto, é conhecer um pouco a realidade do combate aos focos. No primeiro dia, talvez o mais crítico, com direito à helicóptero que despejava litros e litros de água para tentar amenizar a situação, havia uma equipe de 17 bombeiros, junto com brigadistas, como o pessoal da Adesa, e voluntários que se embrenhavam e se arriscavam em meio ao fogo para tentar abafar as chamas.

Mas meu foco aqui não é o combate, mas tentar buscar uma explicação do antes do fogo. Afinal, segundo os levantamentos dos Bombeiros, esse último incêndio, de proporções enormes, foi criminoso. Tanto é que quatro pessoas foram presas dentro do Parque, dentro da Área de Proteção Ambiental (APA), colocando fogo em mato seco. Outros relatos afirmam que foi tudo muito bem premetitado, já que colocaram fogo em locais e horários diferentes, o que dificultava o combate.

É evidente que não há seguranças ou mesmo vigias para cuidar desse imenso espaço da APA e do Parque da Cascata. Há sim ai uma omissão do poder público de cuidar de um bem público e estimado pela população (ou parte dela, pelo menos), o que acaba acontecendo esses desastres. O próprio sargento dos Bombeiros com quem estive durante a minha visita, foi enfático: se não houver um projeto sério de prevenção, a situação vai continuar e inclusive piorar.

Mas se o problema é bem conhecido, fica a pergunta. A quem se interessa as queimadas na serra? Foram presas quatro pessoas ateando fogo, em flagrante. Elas estavam a mando de alguém? Ou saem colocando fogo em parque e APA's por puro prazer? Fica ai a pergunta.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Um ano


O dia 08 de setembro era prá ser esquecido na nossa vida. Mas o lembramos pela saudade, pela ausência de meu amigo e irmão Fred Resende.

Já se passou um ano da ida dele, mas sei que Fred ainda está presente, junto com a gente. Seja nas boas lembranças dos amigos, nas rodas de conversa e até mesmo neste blog.

Ainda é difícil aceitar essa perda imensa na vida. Mas seu que ele está ai, cuidando da gente.

Saudade meu caro irmão.

Foto: Este escriba com os queridos pais do Fred, em homenagem feita na Câmara Municipal.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

"A mudança começa pelo Legislativo"

O título do texto está entre aspas pois é uma citação. Ela me foi dita por uma das minhas maiores mentoras na política, na arte das entranhas do mundo político. Minha tia, e além disso, minha madrinha, Lúcia Avelar é com certeza hoje uma das mais importantes cientistas políticas no Brasil, com diversas entrevistas para a revista Carta Capital - que para mim, está cem anos à frente de outros semanários - e já coordenou o departamento na Universidade de Brasília (UnB).

Mas voltando à frase, minha tia Lúcia me disse isso em uma recente visita à Sete Lagoas, depois de me pedir um resumo da vida política na cidade atualmente. Ao contar os meandros dos corredores, ela me disse, categoricamente: "A mudança começa pelo legislativo".

O que ela, uma pós-doutora em ciências políticas, quis me dizer é que não adianta a população ficar reclamando apenas do executivo, seja ele municipal, estadual ou federal. Se o legislativo vai mal - ou muito mal, como vemos em algumas passagens recentes da nossa Câmara - a cidade também vai mal. Salvas exceções, sabemos que muitos ali vivem de conchavos, picuínhas e só miram as próximas eleições para continuar mamando no dinheiro público. Muitas vezes vivem de discursos inflamados, mas que no fundo não convencem nem a si mesmo.

Os vereadores são có-responsáveis pelo que acontece na direção da cidade. Eles que aprovam as leis, e principalmente os orçamentos, para onde o nosso suado dinheirinho vai, além de fiscalizar o poder executivo. Eles devem ser cobrados tanto quanto o prefeito em qualquer que seja o assunto da cidade.

A discussão sobre o número de cadeiras na Câmara, que deve ser votado até o fim de setembro é uma ótima oportunidade para a própria população avaliar a atuação dos vereadores. Será que precisamos de 17? Ou de 21? O que vai mudar essencialmente no aumento de cadeiras? Será que realmente haverá mudanças significativas com o aumento de vereadores?

É só buscar as pautas semanais que são discutidas na reunião semanal. Lá estará a resposta.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Coincidências


Como é a vida. Pouco depois de escrever o texto abaixo, sobre coisas estranhas que só acontecem em Sélagoas, me deparo com uma foto para comprovar o que falei.

A foto não é minha, e copiei, ainda sem autorização prévia - mas sei que tenho a autorização para fazer - do blog do meu amigo Ramon Lamar. O assunto que abordado no post dele não tem nada a ver com o meu, mas no final, ele me dá de presente a minha prova. A prova final que preciso.

Como dá para ver, há um carro de som logo atrás do desmonte da ferinha. E vocês não imaginam de quem é esse carro de som. Sim, da propaganda da Exposete. Como pode verificar, ele não te a devida licença da Secretaria do Meio Ambiente, que por lei, tem que estar estampada na porta dianteira do veículo. E é preciso ter o telefone de contato da secretaria, caso o cidadão se sinta incomodado com o som e reclamar aos órgão competentes. Como sei que é da Exposete? Porque tive o desprazer de encontrar com ele no meio da rua fazendo a maravilhosa e prazerosa propaganda.

Mas neste caso, não há telefone né? Porque ele não tem autorização né? E prá quem a gente ia reclamar?

Onde erramos?

Há muito fico fazendo essa pergunta ingrata. Sete Lagoas tem um potencial incrível, para ser uma cidade avançada, moderna, bem estruturada. Mas ainda vemos resquícios de uma velha política enrraigada em coronéis, que pouco ajudam ou contribuem com os avanços. Vejamos um caso mais que explícito.

No início de julho foi realizado um evento com proposta totalmente cultural, com uma programação que incluía artes cênicas, circenses, plásticas, congado e música regional, com direito à banda Argentina, que fechava sua turnê pelo Brasil e depois partia para a Europa. Que dia Sete Lagoas tinha visto isso?

O empreedimento era de quatro parceiros, todos eles com pessoas ligadas à defesa dos interesses culturais, mas também ecológicos e de saúde. Tentaram o alvará perante a Secretaria de Meio Ambiente, três semanas antes do evento ocorrer. Mas que foram surpreendidos ao se deparar com o pedido de adiamento do evento, um dia antes de ocorrer. A secretaria se justificou dizendo não ter tempo hábil para analisar o pedido. Como se adiar um evento dessa envergadura, que envolve diversas pessoas e dinheiro, fosse assim tão fácil.

Apesar disso, um dos organizadores conversou ainda pessoalmente com o secretário, que garantiu que se não houvessem problemas na festa, nada seria feito contra o evento. Mas eis que pouco mais de um mês depois, aparece uma multa de R$1 mil pela realização do evento. E o que vem à tona é uma rixa mascarada com um dos parceiros da festa, e, por birra, aplicou a multa. Afinal, tem poderes.

Enquanto isso, na bela cidade das Sélagoas, os carros de som, que andam a um volume ao extremo pelas ruas, não tem o mesmo tratamento. Rodam sem ser importunados. E ainda. Recentemente, carros de som sem o credenciamento da secretaria de meio ambiente rodavam fazendo publicidade da Exposete, em pleno domingo. Segundo o artigo 40, inciso II do Decreto Lei 2784/2002 do município, é proibida a veiculação de publicidade em carros de som aos domingos. Provavelmente para preservar os ouvidos de quem já sofre durante a semana no dia de descanso.

Ai fica a pergunta. Onde erramos?

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Ele ainda não é candidato

O prefeito Maroca ontem convocou a imprensa Sélagoana para uma coletiva. O assunto era obras diversas, da ordem de R$9 milhões, a maioria com verba federal e estadual. Mas na oportunidade, vários assuntos foram levantados e, dentre eles, é claro, a eleição 2012. Sou um defensor de que esse tema seja apenas tratado em 2012, já que falta mais um ano para as urnas serem abertas. Mas, mesmo asim, foi falado e questionado à ele sobre a reeleição.

Maroca afirmou, como já afirma a alguns meses, que ainda não pensa na eleição. Segundo o prefeito, ele pensa somente no trabalho do atual mandado, que não tem tempo de parar para refletir se sai candidato. "Deixo isso para o pessoal do PSDB", afirmou.

Mas fato é que algumas mudanças mostram uma mudança de atitude junto à população. Uma delas é ele marcar uma coletiva com a imprensa a cada 15 dias. Nelas, ele falará de obras e a administração, talvez já de olho na popularidade para o próximo ano. Para quem conhece, isso é marca do assessor de comunicação, Márcio Vicente, ex-secretário de cultura e comunicação da era Ronald, o Cana Brava. Presenciamos dezenas dessas coletivas, muitas delas tensas, na época do prefeito cassado. A entrada de Márcio Vicente pode ter alterado os rumos do Maroca, uma vez que ele pouco atendeu coletivamente a imprensa até então.

Mas alerto. Não deixem os puxas-sacos tomarem conta dessas coletivas. Em eras passadas, esses encontros com o então prefeito Ronald, o Cana Brava, era praticamente uma tortura para quem ia fazer jornalismo, e não papel de puxasaquismo. Elogios vazios, sem um mínimo de conteúdo ou contribuição devem ficar apenas entre as quatro paredes do gabinete à portas fechadas.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Mas não era prá 2010?

Essa semana o prefeito das Sélagoas esteve reunido com o secretário Estadual de Meio Ambiente, Adriano Magalhães. Na pauta, uma discussão prá lá de importante, não só para a nossa ilustre cidade, mas como para outras muitas espalhadas pelo Rio das Velhas. Eles conversaram sobre a Meta 2014, que visa a melhoria das condições daquele rio, que cort... Mas isso não estava previsto para a Meta 2010? Agora a Meta virou Copa do Mundo e cai de quatro em quatro anos?

Na verdade essa piadinha infame, que envolveu as datas e futebol vira mais ainda uma piada sem graça quando vemos a situação que se encontra o tratamento dos nossos dejetos e jogados aos ribeirões, que despejam no Jequitibá, que cai no Rio das Velhas. Havia uma meta a ser cumprida até 2010, que não foi obedecida, e agora já falam em 2014, que se não andar rápido, já vai chegar e virar Meta 2018. Enquanto isso, o nosso meio ambiente morre lentamente, dando seus últimos suspiros de vida.

Por aqui, a palavra desenvolvimento está ligada à inauguração de shopping, estádio, pista dupla para caber mais carros, loteamentos para inchar a cidade, concreto, concreto, concreto.

Enquanto isso, vamos jogando m*#%da nos córregos, que vamos captar água, para a gente mesmo beber.