
Já dizia um amigo meu, empresa tem CNPJ, planilhas de lucros, balanços mensais, semanais, anuais, lucros e dividendos. Falo isso pelo fato de nesta última quinta-feira, o prefeito anunciou a doação de um terreno de sete hectares para a empresa Astronne, aquela da Suíça, em que uma comitiva que contava com três vereadores foram visitar em 2010. Em tempo, o deputado Duílio de Castro, indiretamente, criticou reportagem veiculada pelo EM e feita por mim, que questionava a tal viagem. Só para lembrar e refrescar as boas mentes: o que questionamos não foi de fato a viagem, e sim, quem pagou. Um segredo até hoje não revelado. Mas político e jornaleiro é sempre assim: distorcem o que está escrito em papel.
Mas voltando à vaca fria. O que parece ser um anúncio de uma nova era na cidade, de que uma empresa milagrosa chega ao município, é bom lembrar de um fator importante. A empresa vem para a cidade não porque gostou dos olhos do Maroca ou simpatizou com a beleza das lagoas, mas sim porque viu um enorme potencial de mercado na região.
Nem é preciso ficar dizendo que temos as facilidades de ligação, como estrada duplicada, entroncamento com outras regiões do estado e até mesmo do país, a linha férrea, que deverá ser muito usada pela Astronne. A proximidade com a região metropolitana de BH, é uma oportunidade de encher os olhos para uma empresa como aquela, que vai, principalmente tratar o lixo industrial. Parte das atenções durante a coletiva ficaram para o lixo doméstico, mas a real intenção é o tratamento de toda essa parafernália que constantemente não sabemos onde descartar. Monitores de computador, geladeiras velhas, pilhas, baterias, até mesmo carros inutilizados, enfim, todo esse lixo eletrônico que ninguém sabe o que fazer.
E como toda empresa, esta não é diferente e visa o lucro. E como se lucra com o lixo? Primeiro, eles cobram uma taxa para a entidade, seja prefeitura ou outra que queira descartar seus restos. Depois eles fazem toda a separação, o material vira aço, ferro, borracha, até mesmo ouro, que segundo o diretor-executivo da empresa, tem 98% de pureza, próprio para o mercado, que pode ser vendido não como sucata, mas como matéria prima para outros produtos.
É uma idéia industrial fabulosa, com ganhos certos de muito dinheiro. E ainda se ganha o terreno da prefeitura. Que empresário não vai querer?