Já se passaram 45 anos desde o início de um dos piores períodos da história do Brasil. Em 31 de março de 1964 o país era tomado de um golpe militar - isso mesmo, golpe, apesar de alguns defenderem ser uma revolução, e até mesmo um texto da Folha de São Paulo afirmar que foi uma Ditabranda. Ambos escribas deste blog nasceram em meio ao período de chumbo e a abertura política, e vimos pela televisão a eleição e morte do mineiro Tancredo Neves, mesmo sem entender na época a importância disto para o Brasil. Viemos realmente conhecer de perto nos bancos escolares a real situação que antecedeu o retorno à democracia, esta sim, bem conhecida por nós, que começamos a votar após as primeiras eleições a aprendemos a importância desta principal arma política, o voto.
Não vivenciamos as perseguições, os porões do DOI-CODI, o AI-5, mas sabemos muito bem os estragos causados na nação. Ainda hoje o Brasil sente na pele as consequencias deste período triste, e infelizmente muitos dos políticos que foram beneficiados nesta época ainda ocupam cadeiras importantes em Brasília. É só conferir o IDH do Maranhão. O governo federal prometeu uma maior abertura dos arquivos militares, mas pouco se fez até agora, e muitos guerrilheiros, ou se alguns preferirem terroristas, que lutaram pela liberdade, estão perdidos pelos porões. Não se tem nada a comemorar nesta data, apenas lembrar este triste episódio e aprender muito com ele.
Mas parece que a memória é curta, e que alguns se esqueceram que o amaldiçoado AI-5 caiu por terra há muitos anos. E sabemos disso bem próximo à gente, mais do que imaginam. Soubemos que uma equipe da TV local esteve sexta-feira na Associação dos funcionários da prefeitura, no exato momento em que a Vigilância Sanitária interditava o local. Foi feito a reportagem, conforme manda o figurino, mas todo o trabalho foi em vão. A matéria não foi ao ar por determinação da prefeitura, ou pela secretaria de comunicação, de onde partiu a ordem.
É um caso claro de censura, e que deixamos aqui registrado nosso repúdio ao fato. Não é mais aceitável conviver com a interferência e a proibição de uma informação 20 anos depois das primeiras eleições diretas. Pensávamos que o coronelismo tinha terminado, enterrado junto com velhos coronéis nas últimas eleições. Esperamos estar errados quanto à nossa impressão e a este texto...